
Supertamp - Crisis, What Crisis? pode ser sacado aqui.
"I am not young enough to know everything." Oscar Wilde




Hoje venho aqui fazer o papel de divulgador de música portuguesa. Já há tempos tinha falado dos Godot. Este último sábado eles voltaram ao Pinguim no Porto, mas desta vez deram um concerto mais curto pois a seguir a eles vieram os Royale Rendezvous. Estes três rapazes vieram de Leiria para nos mostrar a sua música que eu diria que está algures (assim de repente) entre os Dead Combo, Dr Frankenstein e uma banda sonora de filmes do Tarantino, formando uma espécie de rock de cóbois. Tive a oportunidade de estar com dois deles no fim, o Telmo e o António, com quem mantive conversas filosóficas de alto nível com o patrocínio da Super-Bock. É tudo gente boa, que gosta de rock, filosofia de taberna, coboiada e guitarradas, sendo que ainda fomos acabar a noite a ouvir Iggy Pop, Joy Division e Doors. Ide ao Myspace ouvir as músicas, ou façam melhor e vejam ao vivo. Recomendo.
Os Estados Unidos da América têm um novo presidente, eleito com uma participação nunca antes vista desde 1908, ou seja há cem anos, que os americanos não votavam tanto. 66%, ou seja dois terços dos americanos, foram votar.

"A acumulação de dinheiro improdutivo e o estado de uma terra esgotada por ter produzido rendibilidade em vez de alimentar os povos, são coisas que hoje em dia só nos mostram o impasse a que foi conduzida uma economia cujos êxitos se alicerçavam na exploração conjugada da natureza e do homem pelo homem. (...)
Rejeitamos uma relação de forças em que a vontade de poder volte a ter rigor espiritual, ou uma relação de torca onde o vivo se degrada em coisa morta. A nossa época precisa de uma grande lufada de ar fresco, que volte a vivificá-la. Há-de vir o tempo em que cada indivíduo, rejeitando a apatia de que o poder letárgico extrai a força necessária a oprimi-lo, se há-de tornar guerreiro sem armadura e sem outra arma que não seja uma invencível força de viver. Que sem tréguas ele combata em prol daquilo que tem de único e de mais encarecido no mundo, a sua própria existência, verdadeiro campo de batalha onde nervos, músculos , sensações e pensamentos respondem à solidão de desejos ofuscados pela paixão de fruir, vendo-se contrariados, recalcados, mutilados e negados pelos mecanismo deuma economia que explora o corpo exactamente como explora a terra."
Num blog aqui ao lado, comentava-se uma entrevista de Eduardo Lourenço em que este por sua vez comentava Paulo Coelho. Este dizia que aquilo não era bem literatura. Era uma literatura "light"
When were you happiest?
"A modernidade é o que é - uma obsessiva marcha adiante -, não porque queira sempre mais, mas porque nunca consegue o bastante; não porque se torna mais ambiciosa e aventureira, mas porque as suas aventuras são mais amargas e as suas ambições frustradas. (...) Estabelecer uma tarefa impossível não significa amar o futuro mas desvalorizar o presente. O presente está sempre "a querer", o que o torna feio, abominável e insuportável."
"O tempo já não se refere ao movimento que ele mede, pelo contrário, o movimento refere-se ao tempo que o condiciona. Do mesmo modo, o tempo já não é uma determinação do objecto, mas a descrição de um espaço, espaço que devemos abstrair para descobrir o tempo como condição do acto. O tempo torna-se unlinear e rectilíneo, já não no sentido em que ele media um movimento derivado,
"Faz parte da lógica do Soldado atirar uma granada às pernas do inimigo.
Ainda na senda da conciliação de Cristianismo e Marxismo faço aqui um comentário desse ensaio formidável de Oscar Wilde “The Soul of Man under Socialism”, servindo de introdução a uma curta psicanálise do Robocop.
Sempre desgostei a psicologia cognitiva, modelo muito americano de Psicologia, por um motivo que é o de usar o computador como modelo da psique humana. Ou seja, para um psicólogo cognitivista, a natureza humana deve ser inferida a partir da forma como funciona o computador.
O Robocop é um cyborg, meio homem máquina, que sofre um trauma em que quase morre no início do filme. De ser humano passa a um ser mecânico, automático, sem espontaneidade, fixado e obcecado com apenas dois ou três traumas de infância que por vezes lhe vêem à consciência, e que a sua transformação em adulto robot robótica não consegue “recalcar”chamemos-lhe assim. Sua programação passa unicamente por cumprir três directrizes que lhe são impostas pela lei, tal como um empregado tem cumprir as suas três funções impostas por um patrão que não quer saber do que ele acha ou pensa autonomamente. Assim, o robocop vive ao mesmo tempo o dilema do neurótico e o dilema da luta de classes, na medida em que não lhe é possível abandonar seu emprego de polícia (a lei da polícia, da justiça, a lei paterna) para se dedicar ao seu trabalho de análise de suas memórias de infância.
Muitos poderão perguntar? E qual é a cura do Robocop? Não tenhamos ilusões: a transformação do Robocop de humano (criança) para robot (adulto), é irreversível. A única coisa que podemos fazer é tirar-lhe o capacete, tal como acontece no filme, para que ele mostre uma face mais humana, e assim, podemos esperar que ele tome consciência da sua castração, que perca suas ilusões de omnipotência e que esteja mais sincronizado com seu lado humano (a criança dentro de nós).