Madrox tem a capacidade de se multiplicar a si mesmo indefinidamente, em imensos clones. Andava sempre com uma ou duas sósias que aproveitava para ter diálogos. Eu gostava muito dele, pois era um é personagem cómico e a ideia de ter muitos eus parece-me uma coisa apelativa de um ponto de vista mais esquizóide.Em segundo lugar ficou o Doutor Estranho, um mago da califórnia esotérico, com uma fatiota de astrólogo, que fazia variados feitiços.
Em terceiro lugar, ficou o Surfista Prateado, um personagem silencioso, todo prateado, com uma prancha de Surf, que aparecia raramente nas histórias, surfando pelas galáxias fora com divagações filosóficas.
O Homem múltiplo é um dos mutantes do universo da Marvel. Contextualizando, primeiro havia o professor Xavier e os seu X-Men, criação dos anos 60, e depois aparecerem mais mutantes e mais grupos de mutantes. Jamie Madrox é de uma terceira geração de mutantes.
Uma coisa que sempre me interessou foi os paralelismos entre a história americana e a história da banda desenhada americana, quer da Marvel quer da DC Comics.
Por exemplo: a história do movimentos civis americanos em volta da questão racial. Os americanos tinham muitos negros que eram discriminados. Eram humanos, mas eram vistos (e ainda são) como sendo de outra raça. Na altura surgiram duas correntes: a de Martin Luther King, visão mais humanista e universalista, que defendia que brancos e negros deviam viver em igualdade e cooperação mútua, e a de Malcolm X, que defendia que os negros eram de uma raça superior e que se devia emancipar superiorizando-se aos brancos.
Agora a história dos mutantes da Marvel: Começaram a aparecer casos de pessoas que eram diferentes por terem super-poderes, devido a determinações genéticas. A opinião pública descrimina activamente estes chamados "mutantes". Aparece o professor Xavier, telepata, a dizer numa perspectiva humanista e universalista, que humanos e mutantes devem unir esforços pelo bem comum. Para o efeito, Xavier cria uma escola para treinar mutantes e seus super-poderes num grupo (X-Men) que ajude as pessoas para dar uma imagem positiva dos mutantes à sociedade. Já Magneto, que tinha poderes magnéticos, o arqui-inimigo do professor Xavier, argumenta que os mutantes eram de uma raça superior e que se devia emancipar superiorizando-se aos humanos comuns, cria assim a irmandade dos mutantes.
Mas há muitos mais paralelismos: a guerra fria, as grandes questões sociais, a droga, a tecnologia, todas as questões do mundo durante o séc.XX, estão lá representada. Mais, o próprio paradigma dos super-heróis vai se modificando. Se nos primórdios dos anos 20, os super-herois eram lineares, idealistas, com uma clara oposição entre os maus e os bons, este paradigma foi mudando para o do anti-herói ou outras versões, acompanhando mudanças sociológicas. A análise ideológica e histórica da banda desenhada é interessantíssima e não se esgota aqui num post.
Vejam na Wikipedia o artigo sobre o universo Marvel que desenvolve um pouco estas questões sociais na banda desenhada.






















Voltemos aos nossos bichos humanos que estavam no café, e se lembraram “ao mesmo tempo”, de ir até ao parque. Um deles fica maravilhado sem saber porquê. Na verdade, a parte maravilhosa das coincidências, é que não sabemos dizer o que está primeiro nem o que está depois, é aliás isso que define uma coincidência, o não podermos usar a causalidade para explicar o que está a acontecer. E aí experimentamos o mundo da mesma maneira que o primeiro bicho humano, que tirou as patas do chão, olhou para o céu, e ficou pasmado, e assustado talvez, não sei. Quanto a isso só posso imaginar. Como disse William Blake, tudo o que hoje está provado, foi um dia apenas imaginado. No mundo das coincidências, as coisas acontecem todas ao mesmo tempo e não há nada que possamos provar com certeza. É uma ponte aberta para a imaginação. È o lugar que nos lançou para fazermos cultura e civilizações. Tudo isto porque estamos de mãos a abanar. Não somos como os peixes que estavam em contacto e em união com o seu território, de forma fácil e límpida. Nós somos os sem abrigo por excelência. Somos humanos porque estamos perdidos, e as coincidências lembram-nos exactamente isso.