terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Carnaval
Oscar Wilde dizia que o teatro é mais real do que a vida. Assim, o Carnaval é a época mais genuína do ano. Este ano descobri que, afinal de contas sou um pintor francês.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Darth Vader psicanalisado
Sabiam que Darth Vader tem sentimentos inconscientes não resolvidos e recalcados acerca da homossexualidade? Sim, isto e muito mais foi possível deslindar através da técnica da associação de ideias com Darth Vader sentado no divã:
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Peixes, Coincidências, Mãos a abanar
Certa vez Chuang Tzu e um amigo caminhavam à margem de um rio."Veja os peixes nadando na corrente," disse Chuang Tzu, "Eles estão realmente felizes..."."Você não é um peixe," replicou seu amigo, "Então você não pode saber se eles estão felizes."
"Você não é Chuang Tzu," disse Chuang Tzu, "Então como você sabe que eu não sei que os peixes estão felizes?"
Conto Zen
"No dia 1 de Abril anotei o seguinte: Hoje é sexta-feira. Teremos peixe no almoço. Alguém mencionou de passagem o costume do "peixe de Abril". De manhã, eu anotara uma inscrição: Est homo totus medius piscis ab imo (o homem todo é peixe pela metade, na parte de baixo). À tarde, uma amiga paciente, que eu já não via desde vários meses, mostrou-me algumas figuras extremamente impressionantes de peixes que ela pintara nesse entretempo. À noite mostraram-me uma peça de bordado que representava um monstro marinho com figura de peixe. No dia 2 de abril, de manhã cedo, uma outra paciente antiga, que eu já não via desde vários anos, contou-me um sonho no qual estava à beira de um lago e via um grande peixe que nadava em sua direcção "aportava", por assim dizer, em cima de seus pés. Por esta época, eu estava empenhado numa pesquisa sobre o símbolo do peixe na História. Só uma das pessoas mencionadas tem conhecimento disto. A suspeita de que este caso seja talvez uma coincidência significativa, isto é, uma conexão acausal, é muito natural. Devo confessar que esta sucessão de acontecimentos me causou impressão. Ela tinha para mim um certo carácter numinoso."Carl Jung em "Sincronicidade"
"(...) era uma coincidência que a imagem de uma caveira, desconhecida para mim, ocupasse o outro lado do pergaminho, mesmo por baixo do meu desenho do escaravelho - e de uma caveira que se assemelhava ao meu desenho, não só no contorno como nas dimensões. Confesso que esta coincidência me deixou positivanente estupefacto, por um instante. É o efeito vulgar desta espécie de coincidências. O espírito esforça-se em estabelecer uma relação, uma ligação da causa com o efeito e, julgando-se impotente para o conseguir, sofre uma espécie de paralisia momentânea.""O escaravelho de ouro" de Edgar Allan Poe em "Histórias extraordinárias"
O que é uma coincidência? O que tem de tão mágico e especial? Suponhamos dois amigos que conversam no café uma conversa própria de se ter num café ou nem por isso. Um deles pensa para si mesmo como seria bom sair dali e ir até ao parque, para ter uma conversa de parque ou outra qualquer. Nisto, eis que do outro amigo saem umas palavras ingénuas da sua boca dizendo: “estava a pensar ir até ao parque, estamos lá melhor”.Pasmado, o primeiro amigo não sabe que dizer. Como é que ele se foi lembrar da mesma coisa que eu ao mesmo tempo, pensa ele.
Toda a gente sabe o que isto é, ou seja, a toda a gente já deve ter acontecido algo do género, o que nos deixa sempre com uma sensação de magia e transcendência que não conseguimos confirmar nem desmentir.
Foi no sentido desse confirmar ou desmentir que segundo o nosso amigo Freud, inventámos o princípio da realidade. Passar de um modo alucinatório do pensamento, nos tempos em que para o bicho humano só existia sonho, para um modo de realidade, em que tentamos estabelecer o que é verdade e o que é mentira, o que é real e o que não é, e o que veio primeiro e o que vem a seguir neste caótico mundo que nos rodeia e do qual somos parte, de uma forma paradoxal.
É fácil dizer que, ao beber o copo de água, que ele estava cheio, que depois bebi o copo e pousei-o vazio. É o que o bicho humano faz a toda a hora e a cada momento, e quase que não conseguimos imaginarmo-nos doutra maneira. Contamos o tempo, os segundos, os metros, os quilómetros, o que veio primeiro e o que veio a seguir. E foi assim que inventámos o tempo.
Na verdade, antes de nós já havia outros bichos, os que andavam na água, mais tarde, os que andam na terra e os que andam no ar. Na verdade, há quem diga que, a uma certa altura, tudo o que é vivo era exclusivo da água. Os bichos que andavam na água, os peixes.
O que é uma coincidência? O que tem de tão mágico e especial? Suponhamos dois amigos que conversam no café uma conversa própria de se ter num café ou nem por isso. Um deles pensa para si mesmo como seria bom sair dali e ir até ao parque, para ter uma conversa de parque ou outra qualquer. Nisto, eis que do outro amigo saem umas palavras ingénuas da sua boca dizendo: “estava a pensar ir até ao parque, estamos lá melhor”.Pasmado, o primeiro amigo não sabe que dizer. Como é que ele se foi lembrar da mesma coisa que eu ao mesmo tempo, pensa ele.
Toda a gente sabe o que isto é, ou seja, a toda a gente já deve ter acontecido algo do género, o que nos deixa sempre com uma sensação de magia e transcendência que não conseguimos confirmar nem desmentir.
Foi no sentido desse confirmar ou desmentir que segundo o nosso amigo Freud, inventámos o princípio da realidade. Passar de um modo alucinatório do pensamento, nos tempos em que para o bicho humano só existia sonho, para um modo de realidade, em que tentamos estabelecer o que é verdade e o que é mentira, o que é real e o que não é, e o que veio primeiro e o que vem a seguir neste caótico mundo que nos rodeia e do qual somos parte, de uma forma paradoxal.
É fácil dizer que, ao beber o copo de água, que ele estava cheio, que depois bebi o copo e pousei-o vazio. É o que o bicho humano faz a toda a hora e a cada momento, e quase que não conseguimos imaginarmo-nos doutra maneira. Contamos o tempo, os segundos, os metros, os quilómetros, o que veio primeiro e o que veio a seguir. E foi assim que inventámos o tempo.
Na verdade, antes de nós já havia outros bichos, os que andavam na água, mais tarde, os que andam na terra e os que andam no ar. Na verdade, há quem diga que, a uma certa altura, tudo o que é vivo era exclusivo da água. Os bichos que andavam na água, os peixes.
“Conforme as águas rolam, tu rolas. As águas banham-te e com elas te banhas e nunca emerges. Nunca saber nada, nunca compreender nada. A tua vida é uma represa de sensações ao longo dos teus flancos, um fluxo nas malhas das tuas barbatanas, ao longo da espiral da tua cauda”."O Peixe", D.H. Lawrence
O bicho peixe é assim. O mundo para eles é sensações ao longo das barbatanas e das escamas. Não sabe nem compreende nada. Há também as aves, e estes são bichos parecidos, embora às vezes pousem as patas na terra. Se calhar já foram quadrúpedes como nós também já o fomos. A diferença essencial é essa. Refiro-me ao que Deleuze e Guattari entendiam por desterritorialização e reterritorialização. Houve ao momento em que éramos muito peludos e andávamos com as quatros patas no chão. Depois houve um bicho que se levantou e deixou-se estar assim sem fazer das mãos asas como as aves, e sem no entanto voltar a pô-las no chão. As mãos, que antes usávamos para agarrar o chão e o território como fazem os cães, passaram a ficar suspensas entre o céu e a terra.
E o bicho humano nasceu porque passou a ter um território privilegiado, que tem os seus limites no chão opaco e concreto por baixo, e por outro lado, tem o limite de cima, que não tem fim conhecido, que se estende até aos confins do universo. E essa é uma das angústias primordiais do bicho humano. Está permanentemente obrigado a fazer uma ponte entre o finito e o infinito, a estar na terra a olhar para as estrelas, o sol e a lua, mas de mãos a abanar. Que território é este que temos em frente? Como é que algo assim pode ser sentido como nosso? Como vamos sobreviver aqui? As mãos são suficientes para apalpar um palmo de terra, um de cada vez, mas não consegue apalpar o intervalo entre o céu e a terra. A divisão teve que ser feita noutro lugar, num cérebro talvez, e de uma forma abstracta que não ocupe lugar e que nos deixa de mãos a abanar. Como disse Nietzsche, o homem é uma corda esticada sobre o abismo, entre o animal e o super-homem.
Com os nossos dez dedos, começámos talvez por contar estrelas, sem nunca as podermos agarrar. E foi aí talvez que apareceu a matemática, e outras coisas. Mas nossos cérebros primitivos, que até então só serviam para sonhar e para desejar, tiveram que começar a acomodar números e medidas que são a ligação que arranjámos para com este território novo que nos deixa de mãos a abanar. E este território só poderia então ser partilhado entre bichos humanos desta forma. Percebe-se o bicho que sentiu necessidade de escrever os seus mamutes na gruta, para dizer quantos eram. Começou ai a linguagem, e também o tempo, porque nós ainda olhamos para o céu como o cão que põe uma pata primeiro no chão, e depois põe a outra. Primeiro uma, e depois outra. Foi assim que inventámos o tempo, que mais não é do que por as coisas umas a seguir às outras, encadear acontecimentos. Em consequência, inventámos a causalidade, o dizer que isto aconteceu porque teve uma causa, e a causa porque teve uma causa. Não poderíamos fazer isto sem a noção de tempo.
Voltemos aos nossos bichos humanos que estavam no café, e se lembraram “ao mesmo tempo”, de ir até ao parque. Um deles fica maravilhado sem saber porquê. Na verdade, a parte maravilhosa das coincidências, é que não sabemos dizer o que está primeiro nem o que está depois, é aliás isso que define uma coincidência, o não podermos usar a causalidade para explicar o que está a acontecer. E aí experimentamos o mundo da mesma maneira que o primeiro bicho humano, que tirou as patas do chão, olhou para o céu, e ficou pasmado, e assustado talvez, não sei. Quanto a isso só posso imaginar. Como disse William Blake, tudo o que hoje está provado, foi um dia apenas imaginado. No mundo das coincidências, as coisas acontecem todas ao mesmo tempo e não há nada que possamos provar com certeza. É uma ponte aberta para a imaginação. È o lugar que nos lançou para fazermos cultura e civilizações. Tudo isto porque estamos de mãos a abanar. Não somos como os peixes que estavam em contacto e em união com o seu território, de forma fácil e límpida. Nós somos os sem abrigo por excelência. Somos humanos porque estamos perdidos, e as coincidências lembram-nos exactamente isso.terça-feira, 29 de janeiro de 2008
José Sócrates tem nome de filósofo mas é um sofista
Hoje apetece-me falar do José Sócrates. O José Sócrates tem nome de filósofo mas é um sofista. Está ao serviço de uma retórica cujos fins são os que mais convém no momento. Há quem não olhe a meios para atingir os seus fins. Mas ele não é desses. Ele é sim, dos que não olha a fins para realizar os seus meios. O José Sócrates é um burocrata. Maneja as palavras como a matéria de um exame oral. É um daqueles alunos que são marrões, decoram a matéria e não arriscam nada de verdadeiramente pessoal e genuíno. Há cerca de dois anos, José Sócrates disse que o discurso dos seus adversário faziam-lhe lembrar “as imagens daquele extraordinário antigo ministro da informação do Iraque, que, com os tanques à porta de Bagdad, continuava a anunciar uma grande vitória iraquiana e a prometer que os americanos seriam esmagados... Porque será?”O que a mim me vem aqui à memória é um conto Zen:
Durante as guerras civis no Japão feudal, um exército invasor poderia facilmente dizimar uma cidade e tomar controle. Numa vila, todos fugiram apavorados ao saberem que um general famoso por sua fúria e crueldade estava se aproximando - todos exceto um mestre Zen, que vivia afastado. Quando ele lá chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria. "Seu tolo!!" ele gritou enquanto desembainhava a espada, "não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?"
Mas o mestre permaneceu completamente tranqüilo. "E você percebe," o mestre replicou calmamente, "que você está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?"
O Sócrates não entende a diferença entre ele e seus adversários políticos, porque os vê na sua pobre e limitada perspectiva do que é a política. Zizek, num artigo seu, fala precisamente no episódio do primeiro ministro Iraquiano. Refere ainda a distinção de Jeane J. Kirkpatrick entre líderes “autoritários” e “totalitários” que a política Americana usou para distinguir os politicos que deveriam ser apoiados na luta contra os regimes comunistas. Os autoritários são mandões pragmáticos e utilitaristas que se preocupam com poder e riqueza e que são indiferentes acerca de assuntos ideológicos, ainda que possam papaguear sobre uma grande causa para efeitos decorativos. Por outro lado, os lideres totalitários são fanáticos que acreditam na ideologia e que estão dispostos a sacrificar tudo pelos seus ideais. Os americanos lidam melhor com os primeiros do que com os segundos.
O Sócrates é dos primeiros, dos autoritários. São os que podem enganar alguém num dia ou outro, mas não por muito tempo. Sócrates instituiu em Portugal a autoridade da higiene e das estatísticas. O que lhe interessa não é fazer tratados que mudem o mundo. A ele basta-lhe que esse tratado se chame “De Lisboa.” O Sócrates gosta de estudos encomendados a técnicos e de choques tecnológicos. Na mensagem de natal, Sócrates fala só dele. Das suas tarefas do défice. Quando fala sobre os portugueses, é em forma de estatística. A estatística é arte de dizer que, se um homem comeu quatro lagostas, e outros três não comeram nada, então cada homem comeu uma lagosta.
Sócrates sabe que a política é a arte de mentir. Mas o desastre dele é que não sabe mentir. Só sabe mentir quem se acredita nas próprias mentiras que conta. Esqueçam tudo e olhem para a cara dele. Quando ele dá más notícias aos portugueses e lhes pede sacrifícios, ele diz isto a sorrir. Aliás, ele diz seja o que for sempre com a mesma cara. Como quem não entende o que lê, mas lendo-o em voz alta. O Sócrates tem sorrisos falsos enquanto fala ao país. A diferença entre um sorriso simulado e um falso reside num pequeno músculo em torno dos olhos que puxa as maçãs do rosto para cima. É a diferença entre a verdade e a mentira. O que Sócrates propõe para Portugal é ridículo e absurdo. Sócrates acha que a evolução de um país se alcança pelo alterar das estatísticas e indicadores. Sócrates confunde os meios pelos fins e isso é absurdo. Uma das expressões máximas do absurdo é o cómico. Nesse sentido, ninguém mostrou tão bem o que é a essência primordial da política do Sócrates como os Gato Fedorento neste Sketch:
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Minimal Show
No próximo fim-de-semana, eu e o meu grupo de teatro "A Corte da Mula", vamos apresentar a peça "Minimal Show" de Sergi Belbel e Miguel Górriz no Centro Cultural de Vila das Aves, no dia 26 de Janeiro às 21:30.
Trata-se de uma peça dos anos 80 com poucas falas mas muita acção que se situa o seu espaço psicológico entre a esquizofrenia o pós-modernismo. Cenas repetidas que se cruzam umas com as outras, personagens sem identidade em que só lhes resta a procura de uma mecânica dos gestos. Dir-se-ia também que há em determinado momento uma espécie de salto entre o teatro e o meta-teatro. A banda sonora terá ainda um toque de Glam-Rock neste espectáculo. Enfim, se tiverem oportunidade vejam por vocês mesmos. Eu lá estarei, a impersonar a histérica personagem "C"
Direcção: Mário Costa
Som e Desenho: luz Ratão
Caracterização: Tina
Interpretação Carla Azevedo, Miguel Marques, Nuno Rabino, Sandra Mestre e Zé (C'est Moi)
Trata-se de uma peça dos anos 80 com poucas falas mas muita acção que se situa o seu espaço psicológico entre a esquizofrenia o pós-modernismo. Cenas repetidas que se cruzam umas com as outras, personagens sem identidade em que só lhes resta a procura de uma mecânica dos gestos. Dir-se-ia também que há em determinado momento uma espécie de salto entre o teatro e o meta-teatro. A banda sonora terá ainda um toque de Glam-Rock neste espectáculo. Enfim, se tiverem oportunidade vejam por vocês mesmos. Eu lá estarei, a impersonar a histérica personagem "C"
Direcção: Mário Costa
Som e Desenho: luz Ratão
Caracterização: Tina
Interpretação Carla Azevedo, Miguel Marques, Nuno Rabino, Sandra Mestre e Zé (C'est Moi)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Serpente Emplumada
Adicionei um link para o Blog "Serpente Emplumada" do Paulo Borges, presidente da União Budista Portuguesa. A partir de hoje começarei a participar também nesse blog. Aliás hoje postei lá pela primeira vez este poema:
o outro
começa em nós,
mas não sabemos
onde acaba.
sozinhos
nascemos
no rio do amor,
e assim
falar, falar
é fazer uma ponte
e nunca chegar
a acabá-la
e amar
é começar de novo
o que não tem
princípio nem fim.
o outro
começa em nós,
mas não sabemos
onde acaba.
sozinhos
nascemos
no rio do amor,
e assim
falar, falar
é fazer uma ponte
e nunca chegar
a acabá-la
e amar
é começar de novo
o que não tem
princípio nem fim.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Revista ACTO #8 - O Futuro
Saiu a oitava edição da revista ACTO. O tema desta edição é o futuro, e conta com um texto da minha autoria denominado "2046 - a idade da mentira". Há ainda mais uma dúzia de artigos, ensaios e poemas bastante bons no seu conjunto, incluindo por exemplo um texto do poeta Manuel Gusmão que é, eu diria, iluminante.
Aqui ficam alguns sítios onde podem adquirir a revista:
Livraria Livros e Papeis - Santo Tirso
Matéria Prima - Porto
Estaleiro Cultural Velha-a-Branca - Braga
Cooperativa Cor de Tangerina - Guimarães
Livraria Entrelivros - Tomar
E aqui fica um pequeno excerto do texto "2046 - A idade da mentira".
Joaquim – Olha Serafim, se entendo bem o que me estás a dizer é caso para ficar deprimido só de pensar no futuro.
Serafim – Oh, Joaquim, não te preocupes, afinal, as coisas que te conto não passam no fim de contas de mentiras.
Joaquim – Pois. O que me estás a contar é apenas mais uma mentira entre todas, não é verdade?
Serafim – Não Joaquim. Estou-te a dizer a verdade quando digo que te estou a mentir. Por isso não estou a mentir.
Joaquim – Bem… O que tu acabaste de dizer não faz muito sentido.
Serafim – Sim, mas sabes, há um filósofo inglês, o Bertrand Russel, que se debruçou do ponto de vista lógico sobre a seguinte questão: Se eu disser que sou mentiroso, estou a dizer a verdade ou estou a mentir?
Joaquim – E a que conclusão chegou?
Serafim – A princípio pensava que era um limite da lógica, mas depois achou que era o problema que estava mal colocado do ponto de vista lógico. De qualquer maneira nunca chegou a responder à questão.
Joaquim - Compreendo perfeitamente. Mas diz-me lá uma coisa. Se tudo são mentiras, então, o que é a verdade?
Serafim – A verdade é uma boa mentira
Aqui ficam alguns sítios onde podem adquirir a revista:
Livraria Livros e Papeis - Santo Tirso
Matéria Prima - Porto
Estaleiro Cultural Velha-a-Branca - Braga
Cooperativa Cor de Tangerina - Guimarães
Livraria Entrelivros - Tomar
E aqui fica um pequeno excerto do texto "2046 - A idade da mentira".
Joaquim – Olha Serafim, se entendo bem o que me estás a dizer é caso para ficar deprimido só de pensar no futuro.
Serafim – Oh, Joaquim, não te preocupes, afinal, as coisas que te conto não passam no fim de contas de mentiras.
Joaquim – Pois. O que me estás a contar é apenas mais uma mentira entre todas, não é verdade?
Serafim – Não Joaquim. Estou-te a dizer a verdade quando digo que te estou a mentir. Por isso não estou a mentir.
Joaquim – Bem… O que tu acabaste de dizer não faz muito sentido.
Serafim – Sim, mas sabes, há um filósofo inglês, o Bertrand Russel, que se debruçou do ponto de vista lógico sobre a seguinte questão: Se eu disser que sou mentiroso, estou a dizer a verdade ou estou a mentir?
Joaquim – E a que conclusão chegou?
Serafim – A princípio pensava que era um limite da lógica, mas depois achou que era o problema que estava mal colocado do ponto de vista lógico. De qualquer maneira nunca chegou a responder à questão.
Joaquim - Compreendo perfeitamente. Mas diz-me lá uma coisa. Se tudo são mentiras, então, o que é a verdade?
Serafim – A verdade é uma boa mentira
sábado, 12 de janeiro de 2008
Democracias
O conceito de democracia é uma verdadeira mitologia dos tempos que ocorre. Baseia-se na noção de que todos os homens são iguais e no facto de que, ao por todas as pessoas a por uma cruz num de vários quadrados de um boletim, de 4 em 4 anos, está assegurada uma forma de governo justa e fundadada nos reais anseios do povo.
A primeira noção, a de que todos os homens são iguais, não a comento. A segunda, de que uma cruz num quadrado é o garante de liberdade e auto-determinação dos povos, faz-me pensar que nunca chegámos a avançar muito nas práticas da democracia desde que ela foi inventada. Ela é no máximo, uma má estatística, um teste psicológico muito fraquinho. Imaginem que vos passavam um teste de personalidade em que tinham de escolher entre somente quatro opções, personalidade rosa, amarela, laranja, vermelha e vermelho choque. A pessoa escolheria a cor amarela e dir-se ia que tem uma personalidade amarela. Imaginem agora fazer esse teste a todas as pessoas de Portugal e chegavam ao fim e diziam, os portugueses são amarelos. Imaginem agora representantes das vários tipos de cores de pessoas, e os amarelos festejavam todos vestidos de amarelo o facto de os portugueses terem gostado do amarelo. Fazem discursos grandes e dizem, sim portugueses, obrigado por terem escolhido amarelo, sentimos que querem deste portugal um bom portugal, um portugal amarelo!
Este cenário parece surrealista, mas é este é de facto o golpe de teatro fundador das nossas orgulhosas e vaidosas nações ocidentais desenvolvidas.
Penso que é possível fazer muito mais para por as pessoas de facto a tomar em suas mãos o controlo e o poder de decidir as questões que dizem respeito ao seu país.
Acho que existem muitas pessoas que vêem logo o logro que está envolvido que no acto de votar, na estupidez de votar amarelo ou rosa, como se isso fosse representativo de mim, como se isso pudesse ser usado legitimamente para representar alguém que vai fazer longos discursos amarelos e que acham absurdo a noção de voto como ela se nos apresenta. E essas pessoas não votam. É a chamada abstenção. São a classe política mais injustiçada de todas. Minto, a mais injustiçada são os que votam em branco ou voto nulo.
Face a isto eu tenho uma proposta. Se votamos nas eleições legislativas para por um bando de indivíduos a fazer leis num parlamento, acho que é perfeitamente justificável que, havendo já tantas leis, se evite votar para haver proliferação de leis. Isto evitaria situações como aquela lei americana do estado de Kentucky que diz que "Nenhuma mulher deve aparecer em fato de banho em qualquer auto-estrada do estado, a não ser que venha escoltada por, pelo menos, dois polícias ou, em alternativa, venha armada com um bastão", ou então esta da Florida em "é ilegal uma senhora solteira, divorciada ou viúva fazer pára-quedismo aos Domingos à tarde".
Devia haver uma maneira de protestar contra a democracia na maneira como ela é conduzida, sem deixar que alguém pegue no nosso descontentamento para apregoar discursos vaidosos. Trata-se aqui de dar legitimidade política à abstenção.
O que eu proponho é que os votos não realizados, em branco ou nulos, passem a ser representados no parlamento por lugares vazios. O que há na verdade é um roubo de lugares que justamente não deviam pertencer a ninguém. Se fizerem as contas das legislativas de 2005, vão descobrir que existiram 3196674 abstenções, 103537 votos brancos, e 65515 votos nulos. São ao todo 3365726 portugueses que desaparecem num golpe de mágica quando se anuncia que o PS ganhou por 45%. A seguir começam as barbaridades, começa-se a dizer que metade dos portugueses votou no PS, etc.
Estes 45% são a parte apenas dos votos contados, e não uma percentagem do total dos eleitores possíveis. Eu dei-me ao trabalho de fazer as contas:
Primeiro temos as estatísticas oficiais:

E agora, os resultados reais, onde na verdade não foi o PS que ganhou as eleições, mas sim a abstenção.

As consequências da minha proposta ser levada à frente, é que todos os partidos políticos teriam menos deputados. Seriam ao todo 86 lugares vazios no parlamento. Para aprovar qualquer lei, o Partido Socialista teria que fazer uma coligação como PSD, mas nem isso chegaria para chegarem a ser maioria no parlamento. Seriam obrigados a negociar com o O PCP, Os Verdes, O Bloco de Esquerda e o CDS/PP.
A vida política ia ficar mais animada e mais interessante. Todos os partidos teriam de parar com as acusações mútuas e procurar fazer uso em conjunto da precária legitimidade que têm para fazer leis, ao invés da arrogância e da vaidosice que por aí grassa nesses meios. Acho que as vantagens da minha proposta seriam tais que, paradoxalmente a abstenção iria baixar.
A primeira noção, a de que todos os homens são iguais, não a comento. A segunda, de que uma cruz num quadrado é o garante de liberdade e auto-determinação dos povos, faz-me pensar que nunca chegámos a avançar muito nas práticas da democracia desde que ela foi inventada. Ela é no máximo, uma má estatística, um teste psicológico muito fraquinho. Imaginem que vos passavam um teste de personalidade em que tinham de escolher entre somente quatro opções, personalidade rosa, amarela, laranja, vermelha e vermelho choque. A pessoa escolheria a cor amarela e dir-se ia que tem uma personalidade amarela. Imaginem agora fazer esse teste a todas as pessoas de Portugal e chegavam ao fim e diziam, os portugueses são amarelos. Imaginem agora representantes das vários tipos de cores de pessoas, e os amarelos festejavam todos vestidos de amarelo o facto de os portugueses terem gostado do amarelo. Fazem discursos grandes e dizem, sim portugueses, obrigado por terem escolhido amarelo, sentimos que querem deste portugal um bom portugal, um portugal amarelo!
Este cenário parece surrealista, mas é este é de facto o golpe de teatro fundador das nossas orgulhosas e vaidosas nações ocidentais desenvolvidas.
Penso que é possível fazer muito mais para por as pessoas de facto a tomar em suas mãos o controlo e o poder de decidir as questões que dizem respeito ao seu país.
Acho que existem muitas pessoas que vêem logo o logro que está envolvido que no acto de votar, na estupidez de votar amarelo ou rosa, como se isso fosse representativo de mim, como se isso pudesse ser usado legitimamente para representar alguém que vai fazer longos discursos amarelos e que acham absurdo a noção de voto como ela se nos apresenta. E essas pessoas não votam. É a chamada abstenção. São a classe política mais injustiçada de todas. Minto, a mais injustiçada são os que votam em branco ou voto nulo.
Face a isto eu tenho uma proposta. Se votamos nas eleições legislativas para por um bando de indivíduos a fazer leis num parlamento, acho que é perfeitamente justificável que, havendo já tantas leis, se evite votar para haver proliferação de leis. Isto evitaria situações como aquela lei americana do estado de Kentucky que diz que "Nenhuma mulher deve aparecer em fato de banho em qualquer auto-estrada do estado, a não ser que venha escoltada por, pelo menos, dois polícias ou, em alternativa, venha armada com um bastão", ou então esta da Florida em "é ilegal uma senhora solteira, divorciada ou viúva fazer pára-quedismo aos Domingos à tarde".
Devia haver uma maneira de protestar contra a democracia na maneira como ela é conduzida, sem deixar que alguém pegue no nosso descontentamento para apregoar discursos vaidosos. Trata-se aqui de dar legitimidade política à abstenção.
O que eu proponho é que os votos não realizados, em branco ou nulos, passem a ser representados no parlamento por lugares vazios. O que há na verdade é um roubo de lugares que justamente não deviam pertencer a ninguém. Se fizerem as contas das legislativas de 2005, vão descobrir que existiram 3196674 abstenções, 103537 votos brancos, e 65515 votos nulos. São ao todo 3365726 portugueses que desaparecem num golpe de mágica quando se anuncia que o PS ganhou por 45%. A seguir começam as barbaridades, começa-se a dizer que metade dos portugueses votou no PS, etc.
Estes 45% são a parte apenas dos votos contados, e não uma percentagem do total dos eleitores possíveis. Eu dei-me ao trabalho de fazer as contas:
Primeiro temos as estatísticas oficiais:

E agora, os resultados reais, onde na verdade não foi o PS que ganhou as eleições, mas sim a abstenção.

As consequências da minha proposta ser levada à frente, é que todos os partidos políticos teriam menos deputados. Seriam ao todo 86 lugares vazios no parlamento. Para aprovar qualquer lei, o Partido Socialista teria que fazer uma coligação como PSD, mas nem isso chegaria para chegarem a ser maioria no parlamento. Seriam obrigados a negociar com o O PCP, Os Verdes, O Bloco de Esquerda e o CDS/PP.
A vida política ia ficar mais animada e mais interessante. Todos os partidos teriam de parar com as acusações mútuas e procurar fazer uso em conjunto da precária legitimidade que têm para fazer leis, ao invés da arrogância e da vaidosice que por aí grassa nesses meios. Acho que as vantagens da minha proposta seriam tais que, paradoxalmente a abstenção iria baixar.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Paranóia, Amor, Genoma Humano e Revolução.
No artigo de Slavoj Zizek: "Censorship Today: Violence, or Ecology as a New Opium for the Masses", é abordada a noção problemática hoje em dia da propriedade intelectual. Bill Gates construiu seu império económico na informática fundamentando-se em noções extremas do conhecimento ser tratado como se fosse proprieade real.
Do ponto de vista psicológico, sentir que o nosso pensamento não nos pertence, ou que é algo que pode ser roubado, pode ser um critério para diagnóstico de paranóia.
As complicações legais quanto à propriedade intelectual hoje em dia levantam muitas questões legais pela cada vez mais facilidade em copiar e transmitir a informação (através de blogs por exemplo) começa a ser propriamente normal que alguém se queixe que o seu pensamento está a ser roubado, principalmente se estiver a perder dinheiro com isso.
No livro que mostrei aqui há uns tempos do George Steiner, ele diz que “a revolução científico-tecnológica que domina a consciência social e psicológica do Ocidente desde o séc. XVI levou a que toda a concepção de verdade ganhe um rigor mais especial (…). O carácter lógico e matemático das proposições que incorporam a verdade aumenta grandemente a sua abstracção, neutralidade e impessoalidade. Os homens começam a sentir que a verdade está algures “lá fora”.
Quanto a este “algures lá fora", Steiner admite não conseguir precisar muito bem esta ideia. Mas esse “lá fora” é nem mais nem menos do que o Corpo sem Órgãos de que nos anos 70, Gilles Deleuze e Félix Guattari falam no Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia: um fluxo de desterritorialização capitalista que liga o corpo à máquina através de cortes e recortes dos fluxos de desejo: “As nossas sociedades procederam (…) a uma vasta privatização dos órgãos, que corresponde à descodificação dos fluxos que se tornaram abstractos”
Não é isto de que se trata quando na Índia, comunidades locais subitamente descobrem que as práticas médicas e os materiais que usam há séculos, são agora propriedade de companhias americanas e devem ser compradas a estas? As companhias biogenéticas entretanto fazem a patente de genes e descobrimos agora que partes de nós próprios, os nossos componentes genéticos, já estão “copyrighted”, propriedade de outros.
Como sair então desta armadilha preparada por este tipo de sociedade demente, burocrata, tecnocrata, narcisista e obsessiva? Deleuze detestava metáforas. É por isso que ele dizia que “na realidade a sexualidade está em todo o lado: no modo como um burocrata acaricia os seus dossiers, um juiz faz justiça, um homem de negócios faz circular o dinheiro, a burguesia enraba o proletariado, etc. E não é preciso recorrer a metáforas tal como a libido não recorre a metamorfoses”
Desde a repressão sexual na sociedade Vienense da época de Freud até hoje, de facto não avançámos muito. Se antes evitava-se o sexo, as relações eram frias e as pessoas ficavam doentes mentais por causa disso, hoje em dia passou-se a regulamentar de tal forma o sexo, que há manuais para tudo e então as relações tornam-se altamente artificais e a sexualidade mais fetichista. Sim, é possível ver em qualquer revista de mulher: “conquiste qualquer homem em 10 passos”.
É precisamente a este nível que falamos de uma sociedade burocrata e tecnocrata. O erro é sempre o mesmo: a previsibilidade do outro. Quando definimos um processo de sedução em 10 passos, não há aqui uma abertura ao outro, o que há é uma ritualização de processos, o seguir de uma fórmula para ser aplicada, para cuidadosamente não termos que nos confrontar com o outro na sua totalidade, que também é também imprevisível, corporal, inconsciente. Na verdade o que aqui se trata é do velhinho combate entre a emoção e o corpo, a razão e a emoção, que são o sumo das neuroses comuns das pessoas civilizadas. A indústria Biogenética mais não é do que a tentativa desesperada de cobrir completamente o outro de fórmulas abstractas, tentando pré-determinar todas as potencialidades de cada gene, para assim, podermos olhar para um humano e, através de uma amostra de ADN, poder prever as suas acções, querendo eliminar qualquer hipótese de "o outro" fazer qualquer coisa de inesperado, de ousado de diferente, com medo que qualquer coisa de emocional se transmita, como um vírus. É esta alergia a um contacto genúino com os outro que move a ciência.
No entanto estas tentativas poderão sair frustradas... pela própria ciência.
Senão vejam notícias recentíssimas de um grupo de cientistas que tentam codificar o genoma humano.
Segundo Guigó, os estudiosos pensavam que os genes se relacionavam "como as contas de um colar", com as fronteiras entre eles sendo definidas e delimitadas. Dessa vez, no entanto, os cientistas perceberam que, às vezes, é difícil distinguir alguns genes de outros porque eles se sobrepõem e podem inclusive formarem conjuntos. Dessa forma, há dificuldades para determinar qual é a quantidade precisa de genes do genoma humano, que poderia ser de 20 mil a 30 mil.
Mas mais interessante do que isto são as seguintes experiências. A primeira, levada a cabo por militares, foram recolhidas amostras de leucócitos (células sanguíneas brancas) de um número de doadores. Essas amostras foram colocadas em um local equipado com um aparelho de medição das mudanças eléctricas. Nessa experiência, o doador era colocado num local e submetido a “estímulos emocionais” provenientes de videoclips que geravam emoções ao doador. O DNA era colocado em um lugar diferente do que se encontrava o doador, mas no mesmo edifício.
Ambos, doador e seu DNA, eram monitorizados e quando o doador mostrava seus altos e baixos emocionais (medidos em ondas elétricas) o DNA expressava respostas idênticas ao mesmo tempo. Não houve lapso e retardo de tempo de transmissão.
Os altos e baixos do DNA coincidiram exactamente com os altos e baixos do doador. Os militares queriam saber o quão distantes podiam ser separados o doador e seu DNA para continuarem a observar o mesmo efeito. Pararam de experimentar quando a separação atingiu 80 quilómetros entre o DNA e seu doador e continuaram tendo o mesmo resultado. Sem lapso e sem retardo de transmissão. O DNA e o doador tiveram as mesmas respostas ao mesmo tempo.
Uma segunda experiência foi realizada pelo Instituto Heart Math e o documento que lhe dá suporte tem este título: Efeitos locais e não locais de freqüências coerentes do coração e alterações na conformação do DNA. Nessa experiência pegou-se em DNA de placenta humana (a forma mais “pura” de DNA) e colocou-se num recipiente onde se podia medir suas alterações. 28 amostras foram distribuídas, em tubos de ensaio, ao mesmo número de pesquisadores previamente treinados. Cada pesquisador havia sido treinado a gerar e sentir sentimentos, e cada um deles manifestava fortes emoções.
O que se descobriu foi que o DNA mudou de forma de acordo com os sentimentos dos pesquisadores.
Quando os pesquisadores sentiram gratidão, amor e apreço, o DNA respondeu relaxando-se e seus filamentos esticaram. O DNA tornou-se mais grosso.
Quando os pesquisadores sentiram raiva, medo ou stress, o DNA respondeu ficando mais apertado. Tornou-se mais curto e apagou vários códigos.
Os códigos de DNA ligaram-se novamente quando os pesquisadores tiveram sentimentos de amor, alegria, gratidão e apreço. Essa experiência foi aplicada posteriormente a pacientes com HIV positivo. Descobriram que os sentimentos de amor, gratidão e apreço criaram respostas de imunidade 300.000 vezes maiores que a que tiveram sem eles.
Se os sentimentos genuínos alteram o DNA, de um ponto de vista político, penso que isto é bom para as classes baixas, que não têm de pagar um cêntimo para verem alterado o seu ADN, e mau para quem pretende enriquecer à custa do ADN e vai ver seus planos frustrados por não conseguir fazer melhor que a natureza, presente em todos nós. Lembremo-nos da fórmula de Albert Cossery: aquilo que toda a gente tem, não tem valor de troca.
Isto porque a economia nunca vende a coisa mesmo, o original, ou seja uma emoção genuína. Porque se é vendida, já não é genuína: a mercadoria nunca cumpre a sua promessa implícita, esse "algo mais". Isto é perfeitamente demonstrável com o exemplo de uma prostituta. Não é por acaso que é a profissão mais antiga do mundo: é o exemplo perfeito para compreender a junção de Marx e Freud na compreensão do mundo civilizado. O homem paga à mulher para fazerem amor, mas o que daí resulta não são emoções genuínas mas sim um conjunto de actos mecânicos estereotipados, em que o a mulher apenas representa gemidos que sejam suficientemente convincentes, e o homem se sente culpado por achar que não consegiu dar prazer à mulher. A estrutura da mercadoria da prostituta é assim a mesma da do café descafeinado e da cerveja sem álcool de que fala Zizek. Se quiserem vejam no post mais abaixo um vídeo que postei dele.
Desta forma, cultivar bons sentimentos genuínos para com os outros é um acto anti-utilitarista e anti-pragmatista, e portanto, revolucionário. Apetece assim reformular o lema de Lenine: “operários de todo o mundo, uni-vos” para um simples "Operários de todo o mundo, amai-vos uns aos outros”. Eu sei que essa última parte da é de Jesus, mas é isto é como aquela música dos Pear Jam “Love Boat Captain”: “Its already been sung, but it cant be said enough, All you need is love”
Eddie Vedder cita aqui John Lennon e dedica-a também a 9 pessoas que morreram num concerto deles e deixo aqui o vídeo de uma das músicas que mais amo dos pearl jam. Reparem na letra.
Do ponto de vista psicológico, sentir que o nosso pensamento não nos pertence, ou que é algo que pode ser roubado, pode ser um critério para diagnóstico de paranóia.
As complicações legais quanto à propriedade intelectual hoje em dia levantam muitas questões legais pela cada vez mais facilidade em copiar e transmitir a informação (através de blogs por exemplo) começa a ser propriamente normal que alguém se queixe que o seu pensamento está a ser roubado, principalmente se estiver a perder dinheiro com isso.
No livro que mostrei aqui há uns tempos do George Steiner, ele diz que “a revolução científico-tecnológica que domina a consciência social e psicológica do Ocidente desde o séc. XVI levou a que toda a concepção de verdade ganhe um rigor mais especial (…). O carácter lógico e matemático das proposições que incorporam a verdade aumenta grandemente a sua abstracção, neutralidade e impessoalidade. Os homens começam a sentir que a verdade está algures “lá fora”.
Quanto a este “algures lá fora", Steiner admite não conseguir precisar muito bem esta ideia. Mas esse “lá fora” é nem mais nem menos do que o Corpo sem Órgãos de que nos anos 70, Gilles Deleuze e Félix Guattari falam no Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia: um fluxo de desterritorialização capitalista que liga o corpo à máquina através de cortes e recortes dos fluxos de desejo: “As nossas sociedades procederam (…) a uma vasta privatização dos órgãos, que corresponde à descodificação dos fluxos que se tornaram abstractos”
Não é isto de que se trata quando na Índia, comunidades locais subitamente descobrem que as práticas médicas e os materiais que usam há séculos, são agora propriedade de companhias americanas e devem ser compradas a estas? As companhias biogenéticas entretanto fazem a patente de genes e descobrimos agora que partes de nós próprios, os nossos componentes genéticos, já estão “copyrighted”, propriedade de outros.
Como sair então desta armadilha preparada por este tipo de sociedade demente, burocrata, tecnocrata, narcisista e obsessiva? Deleuze detestava metáforas. É por isso que ele dizia que “na realidade a sexualidade está em todo o lado: no modo como um burocrata acaricia os seus dossiers, um juiz faz justiça, um homem de negócios faz circular o dinheiro, a burguesia enraba o proletariado, etc. E não é preciso recorrer a metáforas tal como a libido não recorre a metamorfoses”
Desde a repressão sexual na sociedade Vienense da época de Freud até hoje, de facto não avançámos muito. Se antes evitava-se o sexo, as relações eram frias e as pessoas ficavam doentes mentais por causa disso, hoje em dia passou-se a regulamentar de tal forma o sexo, que há manuais para tudo e então as relações tornam-se altamente artificais e a sexualidade mais fetichista. Sim, é possível ver em qualquer revista de mulher: “conquiste qualquer homem em 10 passos”.
É precisamente a este nível que falamos de uma sociedade burocrata e tecnocrata. O erro é sempre o mesmo: a previsibilidade do outro. Quando definimos um processo de sedução em 10 passos, não há aqui uma abertura ao outro, o que há é uma ritualização de processos, o seguir de uma fórmula para ser aplicada, para cuidadosamente não termos que nos confrontar com o outro na sua totalidade, que também é também imprevisível, corporal, inconsciente. Na verdade o que aqui se trata é do velhinho combate entre a emoção e o corpo, a razão e a emoção, que são o sumo das neuroses comuns das pessoas civilizadas. A indústria Biogenética mais não é do que a tentativa desesperada de cobrir completamente o outro de fórmulas abstractas, tentando pré-determinar todas as potencialidades de cada gene, para assim, podermos olhar para um humano e, através de uma amostra de ADN, poder prever as suas acções, querendo eliminar qualquer hipótese de "o outro" fazer qualquer coisa de inesperado, de ousado de diferente, com medo que qualquer coisa de emocional se transmita, como um vírus. É esta alergia a um contacto genúino com os outro que move a ciência.
No entanto estas tentativas poderão sair frustradas... pela própria ciência.
Senão vejam notícias recentíssimas de um grupo de cientistas que tentam codificar o genoma humano.
Segundo Guigó, os estudiosos pensavam que os genes se relacionavam "como as contas de um colar", com as fronteiras entre eles sendo definidas e delimitadas. Dessa vez, no entanto, os cientistas perceberam que, às vezes, é difícil distinguir alguns genes de outros porque eles se sobrepõem e podem inclusive formarem conjuntos. Dessa forma, há dificuldades para determinar qual é a quantidade precisa de genes do genoma humano, que poderia ser de 20 mil a 30 mil.
Mas mais interessante do que isto são as seguintes experiências. A primeira, levada a cabo por militares, foram recolhidas amostras de leucócitos (células sanguíneas brancas) de um número de doadores. Essas amostras foram colocadas em um local equipado com um aparelho de medição das mudanças eléctricas. Nessa experiência, o doador era colocado num local e submetido a “estímulos emocionais” provenientes de videoclips que geravam emoções ao doador. O DNA era colocado em um lugar diferente do que se encontrava o doador, mas no mesmo edifício.
Ambos, doador e seu DNA, eram monitorizados e quando o doador mostrava seus altos e baixos emocionais (medidos em ondas elétricas) o DNA expressava respostas idênticas ao mesmo tempo. Não houve lapso e retardo de tempo de transmissão.
Os altos e baixos do DNA coincidiram exactamente com os altos e baixos do doador. Os militares queriam saber o quão distantes podiam ser separados o doador e seu DNA para continuarem a observar o mesmo efeito. Pararam de experimentar quando a separação atingiu 80 quilómetros entre o DNA e seu doador e continuaram tendo o mesmo resultado. Sem lapso e sem retardo de transmissão. O DNA e o doador tiveram as mesmas respostas ao mesmo tempo.
Uma segunda experiência foi realizada pelo Instituto Heart Math e o documento que lhe dá suporte tem este título: Efeitos locais e não locais de freqüências coerentes do coração e alterações na conformação do DNA. Nessa experiência pegou-se em DNA de placenta humana (a forma mais “pura” de DNA) e colocou-se num recipiente onde se podia medir suas alterações. 28 amostras foram distribuídas, em tubos de ensaio, ao mesmo número de pesquisadores previamente treinados. Cada pesquisador havia sido treinado a gerar e sentir sentimentos, e cada um deles manifestava fortes emoções.
O que se descobriu foi que o DNA mudou de forma de acordo com os sentimentos dos pesquisadores.
Quando os pesquisadores sentiram gratidão, amor e apreço, o DNA respondeu relaxando-se e seus filamentos esticaram. O DNA tornou-se mais grosso.
Quando os pesquisadores sentiram raiva, medo ou stress, o DNA respondeu ficando mais apertado. Tornou-se mais curto e apagou vários códigos.
Os códigos de DNA ligaram-se novamente quando os pesquisadores tiveram sentimentos de amor, alegria, gratidão e apreço. Essa experiência foi aplicada posteriormente a pacientes com HIV positivo. Descobriram que os sentimentos de amor, gratidão e apreço criaram respostas de imunidade 300.000 vezes maiores que a que tiveram sem eles.
Se os sentimentos genuínos alteram o DNA, de um ponto de vista político, penso que isto é bom para as classes baixas, que não têm de pagar um cêntimo para verem alterado o seu ADN, e mau para quem pretende enriquecer à custa do ADN e vai ver seus planos frustrados por não conseguir fazer melhor que a natureza, presente em todos nós. Lembremo-nos da fórmula de Albert Cossery: aquilo que toda a gente tem, não tem valor de troca.
Isto porque a economia nunca vende a coisa mesmo, o original, ou seja uma emoção genuína. Porque se é vendida, já não é genuína: a mercadoria nunca cumpre a sua promessa implícita, esse "algo mais". Isto é perfeitamente demonstrável com o exemplo de uma prostituta. Não é por acaso que é a profissão mais antiga do mundo: é o exemplo perfeito para compreender a junção de Marx e Freud na compreensão do mundo civilizado. O homem paga à mulher para fazerem amor, mas o que daí resulta não são emoções genuínas mas sim um conjunto de actos mecânicos estereotipados, em que o a mulher apenas representa gemidos que sejam suficientemente convincentes, e o homem se sente culpado por achar que não consegiu dar prazer à mulher. A estrutura da mercadoria da prostituta é assim a mesma da do café descafeinado e da cerveja sem álcool de que fala Zizek. Se quiserem vejam no post mais abaixo um vídeo que postei dele.
Desta forma, cultivar bons sentimentos genuínos para com os outros é um acto anti-utilitarista e anti-pragmatista, e portanto, revolucionário. Apetece assim reformular o lema de Lenine: “operários de todo o mundo, uni-vos” para um simples "Operários de todo o mundo, amai-vos uns aos outros”. Eu sei que essa última parte da é de Jesus, mas é isto é como aquela música dos Pear Jam “Love Boat Captain”: “Its already been sung, but it cant be said enough, All you need is love”
Eddie Vedder cita aqui John Lennon e dedica-a também a 9 pessoas que morreram num concerto deles e deixo aqui o vídeo de uma das músicas que mais amo dos pearl jam. Reparem na letra.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
uma mãozinha
Um dia passeava com a minha Jane no Porto e vimos um pequeno pássaro no passeio. Ali, quieto, preso ao chão, não se desviou um milímetro do nosso trajecto. Era um pássaro novo, parecia ferido, incapaz de voar. Sentimos compaixão e decidimos pegar nele para o deixar no jardim do marquês, ali perto, onde pensei que estaria mais seguro.
Abaixei-me para pegar nele com as mãos, mas à primeira tentativa ele abanou-se e escapou-se das minhas mãos. Tentei outra vez e quando estava quase a tocar-lhe, eis que ele irrompeu dali para fora batendo as asas sofregamente.
Mas algo estava mal. O pássaro, ferido, não conseguia subir, e então voou rasteiro pela estrada fora. Um momento antes, um carro vinha com alguma velocidade e vi o inevitável: o pássaro voou em direcção ao pneu, o pneu correu em direcção ao pássaro. No segundo seguinte esvoaçaram penas.
Dei a mão para salvar a vida a um pássaro e ele usou a mão que lhe dei para voar em direcção à morte. É um choque ver num instante a vida e a morte darem as mãos, comigo hoje aqui, de mãos a abanar.
A morte vem e passa, assim como a vida. A memória fica e é a memória que dói. Dói não podermos agarrar as memórias pois as memórias são tudo o que não podemos agarrar. E assim ficamos, dizendo “e agora?”, de mãos a abanar, condenados a ser absurdamente livres.
Abaixei-me para pegar nele com as mãos, mas à primeira tentativa ele abanou-se e escapou-se das minhas mãos. Tentei outra vez e quando estava quase a tocar-lhe, eis que ele irrompeu dali para fora batendo as asas sofregamente.
Mas algo estava mal. O pássaro, ferido, não conseguia subir, e então voou rasteiro pela estrada fora. Um momento antes, um carro vinha com alguma velocidade e vi o inevitável: o pássaro voou em direcção ao pneu, o pneu correu em direcção ao pássaro. No segundo seguinte esvoaçaram penas.
Dei a mão para salvar a vida a um pássaro e ele usou a mão que lhe dei para voar em direcção à morte. É um choque ver num instante a vida e a morte darem as mãos, comigo hoje aqui, de mãos a abanar.
A morte vem e passa, assim como a vida. A memória fica e é a memória que dói. Dói não podermos agarrar as memórias pois as memórias são tudo o que não podemos agarrar. E assim ficamos, dizendo “e agora?”, de mãos a abanar, condenados a ser absurdamente livres.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Albert Cossery - As Cores da Infâmia

Este Albert Cossery é um romancista egípcio que vive num quarto de hotel em Paris há muitos anos e escreve romances deliciosos sobre mendigos, ladrões e putas. Cossery tem a habilidade de mostrar de forma simples o mundo caótico mas simples dos pobres e desafortunados. Cito aqui um pequeno trecho do seu livro "Cores da Infâmia":
" - Não te aflijas com isso. Não sou daqueles que se entregam a trabalhos muitas vezes inúteis, julgando cumprir a sua parte de um ritual obrigatório. O único tempo precioso, minha querida Nahed, é o que o homem consagra à reflexão. Isto é uma destas verdades indecentes que os mercadores de escravos abominam.
- É no entanto espantoso que a verdade não entre pelos olhos dentro de todos os homens!
- Desengana-te. A verdade é conhecida de toda a gente, mas uma coisa conhecida de toda a gente não possui nenhum valor de troca. Estás a ver os patifes que controlam a informação a vender verdades... Na melhor das hipóteses, toda a gente se ria deles. Por uma razão bem simples. A verdade não tem nenhum futuro, ao passo que a mentira é portadora de grandes esperanças."
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Tom Waits - Road to Peace
Se me perguntassem o que é que tem falhado no conflito entre israel e palestina, gostava de ter sempre à minha beira o Tom Waits para lhe pedir para cantar esta música do último álbum dele:
Young Abdel Mahdi (Shahmay) was only 18 years old,
He was the youngest of nine children, never spent a night away
from home. And his mother held his photograph, opening the New
York Times To see the killing has intensified along the road to peace
There was a tall, thin boy with a whispy moustache disguised as
an orthodox Jew. On a crowded bus in Jerusalem, some had survived
World War Two. And the thunderous explosion blew out windows
200 yards away. With more retribution and seventeen dead
along the road to peace
Now at King George Ave and Jaffa Road passengers boarded bus 14a
In the aisle next to the driver Abdel Mahdi (Shahmay) And the last
thing that he said on earth is "God is great and God is good"
And he blew them all to kingdom come upon the road to peace
Now in response to this another kiss of death was visited upon
Yasser Taha, Israel says is an Hamas senior militant
And Israel sent four choppers in, flames engulfed, tears wide open
And it killed his wife and his three year old child leaving
only blackened skeletons
It's found his toddlers bottle and a pair of small shoes and they
waved them in front of the cameras. But Israel says they did not
know that his wife and child were in the car. There are roadblocks
everywhere and only suffering on TV. Neither side will ever give up
their smallest right along the road to peace
Israel launched it's latest campaign against Hamas on Tuesday
Two days later Hamas shot back and killed five Israeli soldiers
So thousands dead and wounded on both sides most of them middle
eastern civilians. They fill the children full of hate to fight
an old man's war and die upon the road to peace.
"And this is our land we will fight with all our force"
say the Palastinians and the Jews. Each side will cut off the hand
of anyone who tries to stop the resistance. If the right eye offends
thee then you must pluck it out. And Mahmoud Abbas said Sharon had
been lost out along the road to peace
Once Kissinger said "we have no friends, America only has interests"
Now our president wants to be seen as a hero and he's hungry for
re-election. But Bush is reluctant to risk his future in the fear
of his political failures. So he plays chess at his desk and poses
for the press 10,000 miles from the road to peace
In the video that they found at the home of Abdel Mahdi (Shahmay)
He held a Kalashnikov rifle and he spoke with a voice like a boy
He was an excellent student, he studied so hard, it was as if he
had a future. He told his mother that he had a test that day out
along the road to peace
The fundamentalist killing on both sides is standing in the path
of peace. But tell me why are we arming the Israeli army with guns
and tanks and bullets? And if God is great and God is good why can't
he change the hearts of men? Well maybe God himself is lost and
needs help Maybe God himself he needs all of our help
Maybe God himself is lost and needs help
He's out upon the road to peace
Well maybe God himself is lost and needs help
Maybe God himself he needs all of our help
And he's lost upon the road to peace
And he's lost upon the road to peace
Out upon the road to peace.
Young Abdel Mahdi (Shahmay) was only 18 years old,
He was the youngest of nine children, never spent a night away
from home. And his mother held his photograph, opening the New
York Times To see the killing has intensified along the road to peace
There was a tall, thin boy with a whispy moustache disguised as
an orthodox Jew. On a crowded bus in Jerusalem, some had survived
World War Two. And the thunderous explosion blew out windows
200 yards away. With more retribution and seventeen dead
along the road to peace
Now at King George Ave and Jaffa Road passengers boarded bus 14a
In the aisle next to the driver Abdel Mahdi (Shahmay) And the last
thing that he said on earth is "God is great and God is good"
And he blew them all to kingdom come upon the road to peace
Now in response to this another kiss of death was visited upon
Yasser Taha, Israel says is an Hamas senior militant
And Israel sent four choppers in, flames engulfed, tears wide open
And it killed his wife and his three year old child leaving
only blackened skeletons
It's found his toddlers bottle and a pair of small shoes and they
waved them in front of the cameras. But Israel says they did not
know that his wife and child were in the car. There are roadblocks
everywhere and only suffering on TV. Neither side will ever give up
their smallest right along the road to peace
Israel launched it's latest campaign against Hamas on Tuesday
Two days later Hamas shot back and killed five Israeli soldiers
So thousands dead and wounded on both sides most of them middle
eastern civilians. They fill the children full of hate to fight
an old man's war and die upon the road to peace.
"And this is our land we will fight with all our force"
say the Palastinians and the Jews. Each side will cut off the hand
of anyone who tries to stop the resistance. If the right eye offends
thee then you must pluck it out. And Mahmoud Abbas said Sharon had
been lost out along the road to peace
Once Kissinger said "we have no friends, America only has interests"
Now our president wants to be seen as a hero and he's hungry for
re-election. But Bush is reluctant to risk his future in the fear
of his political failures. So he plays chess at his desk and poses
for the press 10,000 miles from the road to peace
In the video that they found at the home of Abdel Mahdi (Shahmay)
He held a Kalashnikov rifle and he spoke with a voice like a boy
He was an excellent student, he studied so hard, it was as if he
had a future. He told his mother that he had a test that day out
along the road to peace
The fundamentalist killing on both sides is standing in the path
of peace. But tell me why are we arming the Israeli army with guns
and tanks and bullets? And if God is great and God is good why can't
he change the hearts of men? Well maybe God himself is lost and
needs help Maybe God himself he needs all of our help
Maybe God himself is lost and needs help
He's out upon the road to peace
Well maybe God himself is lost and needs help
Maybe God himself he needs all of our help
And he's lost upon the road to peace
And he's lost upon the road to peace
Out upon the road to peace.
Nostalgia do Absoluto - George Steiner

Li recentemente este livro do George Steiner: "Nostalgia do Absoluto". É um autor que expressa bem as suas ideias, é um senhor de letras clássico, gosta muito dos gregos. Faz uma análise histórica àquilo que ele chama de nostalgia do absoluto. Fala-nos das tentativas de substituição da mitologia religiosa por parte de autores como Freud, Marx e Levi-Strauss, todos eles acabando por criar todos as suas mitologias científicas e políticas. Diz que, como estes três são de herança judaica o seu atéismo judeu levou-os a recorrer de certa a forma a buscar as tradições proféticas próprias do judaísmo. É engraçado verificar como steiner mostra que Freud se descreveu da seguinte maneira: "completamente afastado da religião dos meus pais". Mas Freud não fica por aqui: "Se me perguntassem: que lhe resta de judaico? Teria de responder:«muito provavelmente a essência»".
Até aqui tudo bem. O problema talvez, é Steiner desbaratar no final estes três autores como tentativas falhadas e ilusões semelhante às igrejas vazias de hoje em dia. Para mim, ser comunista é uma crença religiosa. Porque não? Nisso concordo com Steiner. Mas se é assim, não podemos vê-lo como uma experiência falhada, como se fosse feita em laboratório e os resultados não tenham dado certo com a hipótese. A crença religiosa trata de acreditar no impossível, numa utopia. Como disse Oscar Wilde, as pessoas só podem acreditar no impossível, nunca no improvável. Ou como disse Kierkegaard, que há um absurdo no acto de fé.
Mas enfim, Steiner depois fala desdenhosamente de ET's astrologia, ecologia, e orientalismo, como mitos populares de gente nova sem rumo, etc.
É um livro simpático, para quem gosta dos gregos, do kant, e assim. É para racionalistas ocidentais conservadores.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
poema de natal
Hoje vou dar largas ao meu imenso espírito natalício. Aqui está um poema meu de Natal:
entram pelos olhos dentro
milhões e milhões de luzinhas,
hoje é um dia bastante chinês.
é natal, é natal,
máquinas para os meninos
bonecas de plástico para as meninas
o natal é todos os dias
quando um homem quer
e quando uma mulher deixa.
o pai natal tem frio,
bebe coca-cola junto à lareira.
o menino Jesus deixa
pois nunca será grande
com o burro à perna
e os reis à espreita.
entram pelos olhos dentro
milhões e milhões de luzinhas,
hoje é um dia bastante chinês.
é natal, é natal,
máquinas para os meninos
bonecas de plástico para as meninas
o natal é todos os dias
quando um homem quer
e quando uma mulher deixa.
o pai natal tem frio,
bebe coca-cola junto à lareira.
o menino Jesus deixa
pois nunca será grande
com o burro à perna
e os reis à espreita.
Zizek
Este é um vídeozinho curtinho com uma pequena amostra do pensamento fresco desse psicanalista nervoso, marxista, cómico, lacaniano, radical, político e genial que é Slavoj Zizek.
Giorgio Agamben
Aqui mostro-vos uma conferência de Giorgio Agamben, genial pensador italiano que aqui faz uma "teologia da política", ou seja, fala-nos das fundações teológicas das nossas instituições políticas, mostrando como a separação entre poder legislativo e poder executivo é um velho problema debatido e resolvido muitos séculos antes pelo vaticano. Sim, é fantástico ver Agamben mostrar como a Santíssima Trindade é uma das principais noções de economia, e como os media efectuam o papel antes reservado aos anjos de "adminstrar a glória". Este é só uma primeira parte, o restante podem ver no youtube
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
A língua das àrvores
Caros leitores de Blog, aqui apresento-vos um conto. Trata-se de uma história, que um dia fui convidado a ir contar a 100 meninos de um infantário da APPACDM em Famalicão. Chama-se "A Lingua das Árvores":
Esta é a história de um homem, um pastor, que guardava as ovelhas à sombra da sua árvore. Num dia de primavera, sentado na relva, o homem ouviu um murmúrio. Continuou a ouvir, atento, e aí viu que era a árvore que sussurrava. Continuou a ouvir, e viu a dança da árvore ao vento. Continuou a ouvir e aprendeu a língua das árvores. Continuou a ouvir e aprendeu a língua da relva, a língua das flores e a língua da terra. O sol começou a pôr-se e o homem foi embora para a aldeia. Tinha ouvido e aprendido muito coisa. Sentia-se grato por toda a verdade que encontrou na árvore. As pedras já não eram só pedras, as plantas já não eram só plantas. Todo o mundo se havia transformado em algo de novo perante os seus olhos.
Quando chegou, o homem quis contar a sua experiência à aldeia toda. Ele havia aprendido a língua das árvores. Toda a gente quis então saber como era, mas o homem não sabia bem como mostrar. Começou a fazer muitos gestos, a mexer muito as mãos, a tentar mostrar como era a dança das árvores. Muitos começaram a mexer-se como ele, e divertiram-se com isso. Mas houve uma pessoa que desconfiou e achou que isso só, não era ouvir as árvores, e alguns começaram a duvidar. O homem tentou soltar sons da boca parecidos com o murmúrio da árvore e quase todos o imitaram e acharam aquilo divertido.
Mas houve duas pessoas que duvidaram de que a árvore realmente estivesse a dizer alguma coisa e chamaram ao homem mentiroso. Muitas pessoas então começaram a duvidar do homem pois achavam as dúvidas razoáveis, e outras queriam saber mais da experiência do homem porque gostavam da dança. O homem estava preocupado pois, por um lado, o que havia aprendido era algo de tão verdadeiro e bom para ele que não estava contente por algumas pessoas duvidarem, pois assim não teriam oportunidade de ver o mesmo que ele viu. Por outro lado, as outras pessoas que acreditaram nele gostaram da dança. Mas a dança era só um exemplo, uma imitação da árvore. Eles pareciam só interessados na dança e não na verdade da árvore. O homem tentou explicar melhor.
Mas as explicações e os exemplos ainda não convenceram todos. E muitos dos que se diziam convencidos pareciam aceitar aquilo com uma ligeireza tal, dando muitas opiniões e piadas, que não terão aprendido ainda a linguagem das árvores tal como o homem a recebera em toda a sua gravidade e consequência. O homem tentou explicar melhor, mas por cada explicação havia mais dúvidas e mais opiniões. Nunca mais acabou a discussão na aldeia.
Viajantes chegavam e ficavam interessados na discussão sobre a língua das árvores. Por essa altura já havia mais de cem explicações do que aconteceu. Cada viajante escolhia a verdade que encontrava nas várias histórias, para então levar uma história que a próxima aldeia entendesse. Mas não entendiam. E então o desentendimento espalhou-se por todo mundo desta forma.
Havia a história que dizia que a língua das árvores era apenas mexer muito com as mãos, outros diziam que não havia árvore nenhuma e que um pastor tinha inventado uma língua e apenas deu uma árvore como exemplo. Outras histórias diziam que não havia pastor nenhum e que a sua história tinha sido inventada pelos chefes da primeira aldeia que queriam dar a conhecer a aldeia para atrair viajantes e mercadores que trouxessem riqueza
Havia também homens que diziam que as histórias não tinham começado naquela aldeia, mas na sua, e disputavam entre si qual das aldeias era a originária das histórias. Outros homens ainda, diziam que todas as histórias são mentiras, pois tinham observado as árvores por dentro e por fora e que ela não tinha mãos para dançar, nem voz para falar, portanto nunca poderia ter ensinado nada a nenhum homem.
Houve homens que achavam que não se tinha observado bem as árvores e inventaram muitos instrumentos úteis para observar melhor a árvores à procura por exemplo de mãos ou bocas muito pequenas. Esses homens chamaram-se a si cientistas. Outros preferiam pintar uma árvore ou dançar como uma árvore pois isso era divertido e a árvore parecia assim verdadeira para elas. A esses chamaram-nos de artistas. Outros ainda, procuravam dar explicações cada vez melhores das histórias, usando a lógica e as palavras certas, ao que foram chamados de filósofos. E foi assim que o desentendimento se espalhou e se dividiu sobre a terra. Entretanto a maioria das pessoas vão-se divertindo com as danças, pinturas, canções e poemas dos artistas, os instrumentos e as técnicas úteis e confortáveis dos cientistas, e os filósofos discutem quais são as melhores explicações das histórias pelo prazer de conversar.Claro que o que está a ser narrado, também é somente uma história que não sabemos qual a extensão de verdade que podemos nela encontrar. Diz-se no entanto, que a árvore continua no seu sítio, à espera que haja alguém que ainda a queira ouvir.
Esta é a história de um homem, um pastor, que guardava as ovelhas à sombra da sua árvore. Num dia de primavera, sentado na relva, o homem ouviu um murmúrio. Continuou a ouvir, atento, e aí viu que era a árvore que sussurrava. Continuou a ouvir, e viu a dança da árvore ao vento. Continuou a ouvir e aprendeu a língua das árvores. Continuou a ouvir e aprendeu a língua da relva, a língua das flores e a língua da terra. O sol começou a pôr-se e o homem foi embora para a aldeia. Tinha ouvido e aprendido muito coisa. Sentia-se grato por toda a verdade que encontrou na árvore. As pedras já não eram só pedras, as plantas já não eram só plantas. Todo o mundo se havia transformado em algo de novo perante os seus olhos.
Quando chegou, o homem quis contar a sua experiência à aldeia toda. Ele havia aprendido a língua das árvores. Toda a gente quis então saber como era, mas o homem não sabia bem como mostrar. Começou a fazer muitos gestos, a mexer muito as mãos, a tentar mostrar como era a dança das árvores. Muitos começaram a mexer-se como ele, e divertiram-se com isso. Mas houve uma pessoa que desconfiou e achou que isso só, não era ouvir as árvores, e alguns começaram a duvidar. O homem tentou soltar sons da boca parecidos com o murmúrio da árvore e quase todos o imitaram e acharam aquilo divertido.
Mas houve duas pessoas que duvidaram de que a árvore realmente estivesse a dizer alguma coisa e chamaram ao homem mentiroso. Muitas pessoas então começaram a duvidar do homem pois achavam as dúvidas razoáveis, e outras queriam saber mais da experiência do homem porque gostavam da dança. O homem estava preocupado pois, por um lado, o que havia aprendido era algo de tão verdadeiro e bom para ele que não estava contente por algumas pessoas duvidarem, pois assim não teriam oportunidade de ver o mesmo que ele viu. Por outro lado, as outras pessoas que acreditaram nele gostaram da dança. Mas a dança era só um exemplo, uma imitação da árvore. Eles pareciam só interessados na dança e não na verdade da árvore. O homem tentou explicar melhor.
Mas as explicações e os exemplos ainda não convenceram todos. E muitos dos que se diziam convencidos pareciam aceitar aquilo com uma ligeireza tal, dando muitas opiniões e piadas, que não terão aprendido ainda a linguagem das árvores tal como o homem a recebera em toda a sua gravidade e consequência. O homem tentou explicar melhor, mas por cada explicação havia mais dúvidas e mais opiniões. Nunca mais acabou a discussão na aldeia.
Viajantes chegavam e ficavam interessados na discussão sobre a língua das árvores. Por essa altura já havia mais de cem explicações do que aconteceu. Cada viajante escolhia a verdade que encontrava nas várias histórias, para então levar uma história que a próxima aldeia entendesse. Mas não entendiam. E então o desentendimento espalhou-se por todo mundo desta forma.
Havia a história que dizia que a língua das árvores era apenas mexer muito com as mãos, outros diziam que não havia árvore nenhuma e que um pastor tinha inventado uma língua e apenas deu uma árvore como exemplo. Outras histórias diziam que não havia pastor nenhum e que a sua história tinha sido inventada pelos chefes da primeira aldeia que queriam dar a conhecer a aldeia para atrair viajantes e mercadores que trouxessem riqueza
Havia também homens que diziam que as histórias não tinham começado naquela aldeia, mas na sua, e disputavam entre si qual das aldeias era a originária das histórias. Outros homens ainda, diziam que todas as histórias são mentiras, pois tinham observado as árvores por dentro e por fora e que ela não tinha mãos para dançar, nem voz para falar, portanto nunca poderia ter ensinado nada a nenhum homem.
Houve homens que achavam que não se tinha observado bem as árvores e inventaram muitos instrumentos úteis para observar melhor a árvores à procura por exemplo de mãos ou bocas muito pequenas. Esses homens chamaram-se a si cientistas. Outros preferiam pintar uma árvore ou dançar como uma árvore pois isso era divertido e a árvore parecia assim verdadeira para elas. A esses chamaram-nos de artistas. Outros ainda, procuravam dar explicações cada vez melhores das histórias, usando a lógica e as palavras certas, ao que foram chamados de filósofos. E foi assim que o desentendimento se espalhou e se dividiu sobre a terra. Entretanto a maioria das pessoas vão-se divertindo com as danças, pinturas, canções e poemas dos artistas, os instrumentos e as técnicas úteis e confortáveis dos cientistas, e os filósofos discutem quais são as melhores explicações das histórias pelo prazer de conversar.Claro que o que está a ser narrado, também é somente uma história que não sabemos qual a extensão de verdade que podemos nela encontrar. Diz-se no entanto, que a árvore continua no seu sítio, à espera que haja alguém que ainda a queira ouvir.
"British Sandwich Association"
Os deuses devem estar loucos! Encontrei o site da "British Sandwich Association". Sim, caro leitor de blogs, é mesmo isso o que você está a pensar: uma associação britânica da sandwich.
Qual a finalidade? Em primeiro lugar:
"To safeguard the integrity of the sandwich market by setting standards for sandwich making, by encouraging excellence in sandwich making and by encouraging the development of the industry in terms of skills, innovation and overall market development."
Se quiserem confirmem voçês mesmos no link: http://www.sandwich.org.uk/
Eu fiquei de tal forma inspirado que decidi fazer um manifesto do "Partido Nacionalista Trabalhista Tosta Mista". Aqui vai:
Somos militantes do Partido Nacionalista Trabalhista Tosta Mista e defendemos a reforma das leis que regulam a actividade hoteleira responsável por aconselhar por exemplo, a ordem pela qual se introduz, caso a caso, primeiro o fiambre e depois o queijo. É um ultraje, uma indignação que me move, que me faz agir,defender os direitos do cidadãos consumidores de tostas mistas por esse país fora e os outros portugueses também, emigrantes em pior situação ainda, porque no estrangeiro não sabem fazer tostas mistas como um português e o embaixador e o cônsul não querem saber, desde que lhe tragam a torrada e o resto do sustento.
A tosta mista portuguesa define a nossa portugalidade mais até que o cozido, esse grande lobby
responsável pela decadência da cultura tosta mística. Lord Sandwich, um dia pôs chicha no meio do pão, permitindo continuar a jogar cartas enquanto comia. Aí tivemos os fundamentos da filosofia do pragmatismo, e os alicerces da revolução industrial. Lutaremos sempre até ao fim, e lá estaremos onde houver mais queijo do que fiambre, ou mais fiambre do que queijo, lá estaremos para combater as desigualdades inerentes à dialéctica interna da tosta mista.
Qual a finalidade? Em primeiro lugar:
"To safeguard the integrity of the sandwich market by setting standards for sandwich making, by encouraging excellence in sandwich making and by encouraging the development of the industry in terms of skills, innovation and overall market development."
Se quiserem confirmem voçês mesmos no link: http://www.sandwich.org.uk/
Eu fiquei de tal forma inspirado que decidi fazer um manifesto do "Partido Nacionalista Trabalhista Tosta Mista". Aqui vai:
Somos militantes do Partido Nacionalista Trabalhista Tosta Mista e defendemos a reforma das leis que regulam a actividade hoteleira responsável por aconselhar por exemplo, a ordem pela qual se introduz, caso a caso, primeiro o fiambre e depois o queijo. É um ultraje, uma indignação que me move, que me faz agir,defender os direitos do cidadãos consumidores de tostas mistas por esse país fora e os outros portugueses também, emigrantes em pior situação ainda, porque no estrangeiro não sabem fazer tostas mistas como um português e o embaixador e o cônsul não querem saber, desde que lhe tragam a torrada e o resto do sustento.
A tosta mista portuguesa define a nossa portugalidade mais até que o cozido, esse grande lobby
responsável pela decadência da cultura tosta mística. Lord Sandwich, um dia pôs chicha no meio do pão, permitindo continuar a jogar cartas enquanto comia. Aí tivemos os fundamentos da filosofia do pragmatismo, e os alicerces da revolução industrial. Lutaremos sempre até ao fim, e lá estaremos onde houver mais queijo do que fiambre, ou mais fiambre do que queijo, lá estaremos para combater as desigualdades inerentes à dialéctica interna da tosta mista.
Olá!
Finalmente criei um blogue pessoal! Chamo-me José Magalhães, o título deste blog é "Born to be Wilde" numa pequena homenagem a Oscar Wilde, esse "genius" do genial séc. XIX.
Irei aqui despejar pensamentos, poemas, e links de acordo com meus interesses, e outras inutilidades. Acima de tudo será um blog anti-utilitarista, e anti-pragmatista. Ou seja, este blog não servirá para rigorosamente para nada.
Aviso: Serão frequentes aqui as referências a Freud, Kierkegaard Marx, Deleuze, entre muitos outros personagens estranhas e aberrações no campo da filosofia, arte, literatura e psicologia.
Irei aqui despejar pensamentos, poemas, e links de acordo com meus interesses, e outras inutilidades. Acima de tudo será um blog anti-utilitarista, e anti-pragmatista. Ou seja, este blog não servirá para rigorosamente para nada.
Aviso: Serão frequentes aqui as referências a Freud, Kierkegaard Marx, Deleuze, entre muitos outros personagens estranhas e aberrações no campo da filosofia, arte, literatura e psicologia.
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