sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Giorgio Agamben




Aqui mostro-vos uma conferência de Giorgio Agamben, genial pensador italiano que aqui faz uma "teologia da política", ou seja, fala-nos das fundações teológicas das nossas instituições políticas, mostrando como a separação entre poder legislativo e poder executivo é um velho problema debatido e resolvido muitos séculos antes pelo vaticano. Sim, é fantástico ver Agamben mostrar como a Santíssima Trindade é uma das principais noções de economia, e como os media efectuam o papel antes reservado aos anjos de "adminstrar a glória". Este é só uma primeira parte, o restante podem ver no youtube

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A língua das àrvores

Caros leitores de Blog, aqui apresento-vos um conto. Trata-se de uma história, que um dia fui convidado a ir contar a 100 meninos de um infantário da APPACDM em Famalicão. Chama-se "A Lingua das Árvores":

Esta é a história de um homem, um pastor, que guardava as ovelhas à sombra da sua árvore. Num dia de primavera, sentado na relva, o homem ouviu um murmúrio. Continuou a ouvir, atento, e aí viu que era a árvore que sussurrava. Continuou a ouvir, e viu a dança da árvore ao vento. Continuou a ouvir e aprendeu a língua das árvores. Continuou a ouvir e aprendeu a língua da relva, a língua das flores e a língua da terra. O sol começou a pôr-se e o homem foi embora para a aldeia. Tinha ouvido e aprendido muito coisa. Sentia-se grato por toda a verdade que encontrou na árvore. As pedras já não eram só pedras, as plantas já não eram só plantas. Todo o mundo se havia transformado em algo de novo perante os seus olhos.
Quando chegou, o homem quis contar a sua experiência à aldeia toda. Ele havia aprendido a língua das árvores. Toda a gente quis então saber como era, mas o homem não sabia bem como mostrar. Começou a fazer muitos gestos, a mexer muito as mãos, a tentar mostrar como era a dança das árvores. Muitos começaram a mexer-se como ele, e divertiram-se com isso. Mas houve uma pessoa que desconfiou e achou que isso só, não era ouvir as árvores, e alguns começaram a duvidar. O homem tentou soltar sons da boca parecidos com o murmúrio da árvore e quase todos o imitaram e acharam aquilo divertido.
Mas houve duas pessoas que duvidaram de que a árvore realmente estivesse a dizer alguma coisa e chamaram ao homem mentiroso. Muitas pessoas então começaram a duvidar do homem pois achavam as dúvidas razoáveis, e outras queriam saber mais da experiência do homem porque gostavam da dança. O homem estava preocupado pois, por um lado, o que havia aprendido era algo de tão verdadeiro e bom para ele que não estava contente por algumas pessoas duvidarem, pois assim não teriam oportunidade de ver o mesmo que ele viu. Por outro lado, as outras pessoas que acreditaram nele gostaram da dança. Mas a dança era só um exemplo, uma imitação da árvore. Eles pareciam só interessados na dança e não na verdade da árvore. O homem tentou explicar melhor.
Mas as explicações e os exemplos ainda não convenceram todos. E muitos dos que se diziam convencidos pareciam aceitar aquilo com uma ligeireza tal, dando muitas opiniões e piadas, que não terão aprendido ainda a linguagem das árvores tal como o homem a recebera em toda a sua gravidade e consequência. O homem tentou explicar melhor, mas por cada explicação havia mais dúvidas e mais opiniões. Nunca mais acabou a discussão na aldeia.
Viajantes chegavam e ficavam interessados na discussão sobre a língua das árvores. Por essa altura já havia mais de cem explicações do que aconteceu. Cada viajante escolhia a verdade que encontrava nas várias histórias, para então levar uma história que a próxima aldeia entendesse. Mas não entendiam. E então o desentendimento espalhou-se por todo mundo desta forma.
Havia a história que dizia que a língua das árvores era apenas mexer muito com as mãos, outros diziam que não havia árvore nenhuma e que um pastor tinha inventado uma língua e apenas deu uma árvore como exemplo. Outras histórias diziam que não havia pastor nenhum e que a sua história tinha sido inventada pelos chefes da primeira aldeia que queriam dar a conhecer a aldeia para atrair viajantes e mercadores que trouxessem riqueza
Havia também homens que diziam que as histórias não tinham começado naquela aldeia, mas na sua, e disputavam entre si qual das aldeias era a originária das histórias. Outros homens ainda, diziam que todas as histórias são mentiras, pois tinham observado as árvores por dentro e por fora e que ela não tinha mãos para dançar, nem voz para falar, portanto nunca poderia ter ensinado nada a nenhum homem.
Houve homens que achavam que não se tinha observado bem as árvores e inventaram muitos instrumentos úteis para observar melhor a árvores à procura por exemplo de mãos ou bocas muito pequenas. Esses homens chamaram-se a si cientistas. Outros preferiam pintar uma árvore ou dançar como uma árvore pois isso era divertido e a árvore parecia assim verdadeira para elas. A esses chamaram-nos de artistas. Outros ainda, procuravam dar explicações cada vez melhores das histórias, usando a lógica e as palavras certas, ao que foram chamados de filósofos. E foi assim que o desentendimento se espalhou e se dividiu sobre a terra. Entretanto a maioria das pessoas vão-se divertindo com as danças, pinturas, canções e poemas dos artistas, os instrumentos e as técnicas úteis e confortáveis dos cientistas, e os filósofos discutem quais são as melhores explicações das histórias pelo prazer de conversar.Claro que o que está a ser narrado, também é somente uma história que não sabemos qual a extensão de verdade que podemos nela encontrar. Diz-se no entanto, que a árvore continua no seu sítio, à espera que haja alguém que ainda a queira ouvir.

"British Sandwich Association"

Os deuses devem estar loucos! Encontrei o site da "British Sandwich Association". Sim, caro leitor de blogs, é mesmo isso o que você está a pensar: uma associação britânica da sandwich.
Qual a finalidade? Em primeiro lugar:

"To safeguard the integrity of the sandwich market by setting standards for sandwich making, by encouraging excellence in sandwich making and by encouraging the development of the industry in terms of skills, innovation and overall market development."

Se quiserem confirmem voçês mesmos no link: http://www.sandwich.org.uk/
Eu fiquei de tal forma inspirado que decidi fazer um manifesto do "Partido Nacionalista Trabalhista Tosta Mista". Aqui vai:

Somos militantes do Partido Nacionalista Trabalhista Tosta Mista e defendemos a reforma das leis que regulam a actividade hoteleira responsável por aconselhar por exemplo, a ordem pela qual se introduz, caso a caso, primeiro o fiambre e depois o queijo. É um ultraje, uma indignação que me move, que me faz agir,defender os direitos do cidadãos consumidores de tostas mistas por esse país fora e os outros portugueses também, emigrantes em pior situação ainda, porque no estrangeiro não sabem fazer tostas mistas como um português e o embaixador e o cônsul não querem saber, desde que lhe tragam a torrada e o resto do sustento.
A tosta mista portuguesa define a nossa portugalidade mais até que o cozido, esse grande lobby
responsável pela decadência da cultura tosta mística. Lord Sandwich, um dia pôs chicha no meio do pão, permitindo continuar a jogar cartas enquanto comia. Aí tivemos os fundamentos da filosofia do pragmatismo, e os alicerces da revolução industrial. Lutaremos sempre até ao fim, e lá estaremos onde houver mais queijo do que fiambre, ou mais fiambre do que queijo, lá estaremos para combater as desigualdades inerentes à dialéctica interna da tosta mista.

Olá!

Finalmente criei um blogue pessoal! Chamo-me José Magalhães, o título deste blog é "Born to be Wilde" numa pequena homenagem a Oscar Wilde, esse "genius" do genial séc. XIX.
Irei aqui despejar pensamentos, poemas, e links de acordo com meus interesses, e outras inutilidades. Acima de tudo será um blog anti-utilitarista, e anti-pragmatista. Ou seja, este blog não servirá para rigorosamente para nada.

Aviso: Serão frequentes aqui as referências a Freud, Kierkegaard Marx, Deleuze, entre muitos outros personagens estranhas e aberrações no campo da filosofia, arte, literatura e psicologia.